Não priorizamos a educação, não, senhor

27/04/2018

"Colocar a educação como prioridade é chamar para si a responsabilidade, é acabar com desperdícios para investir mais no que gera aprendizagem, é usar como referência o que o município ou o estado vizinho está fazendo e dando certo, é fazer as escolhas necessárias e impopulares, é colocar muita energia para realizar melhorias constantes nos processos de implementação, é garantir que as ações cheguem às escolas. Sem haver um impacto positivo na sala de aula, a política pública fracassa. Priorizar é fazer as escolhas certas para cada tempo. Hoje, é tempo de investirmos na primeira infância, nos professores, na gestão, em mais tempo dos alunos na escola, em estruturas escolares mais dignas. É investir mais e melhor nos alunos mais pobres. Claro que a educação, sozinha, não consegue resolver todos os problemas nacionais, mas nunca vamos melhorar de verdade como nação enquanto não investirmos nela e nas pessoas. Um país é o que suas pessoas são", assinala Priscila Cruz, fundadora e presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação.

Um olhar para o começo da vida

12/04/2018

"Combater alta dos homicídios passa por medidas voltadas a infância e juventude. Entre as estratégias cuja eficácia está amparada por evidências estão as voltadas para o desenvolvimento na primeira infância e de habilidades parentais, com objetivo de fortalecer a relação entre crianças e seus responsáveis, criando famílias mais estáveis. Estão incluídos também políticas e programas voltados para o emprego juvenil. A criação de espaços públicos que possam contribuir para a convivência saudável entre adolescentes e o estabelecimento de relações pacíficas, com o apoio de metodologias já testadas, também é fundamental. Mais iniciativas que olhem para o começo da vida de brasileiros e brasileiras são urgentes não apenas pelo fato de a nossa juventude estar sendo brutalmente vitimada, mas também porque isso apresenta uma relação de custo-benefício alta. Para avançar nessa abordagem, precisamos de lideranças fortes, em especial prefeitos e governadores, dispostos a desenvolver e implementar planos integrais de prevenção e redução de violência que levem em consideração quais populações estão em situação de maior vulnerabilidade", sinaliza a cientista política Ilona Szabó de Carvalho.

Como combater o bullying na escola

06/04/2018

O bullying já é considerado um problema de saúde pública no Brasil. Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) aponta o Brasil como quarto país com maior prática de bullying no mundo. Dados mostram que 43% dos estudantes de 11 a 12 anos disseram ter sido vítimas de violência física ou psicológica na escola pelo menos uma vez em outubro do ano passado. "No ambiente escolar, o bullying pode ser definido como uma forma de agressão praticada por um ou mais estudantes contra outro(s), de maneira intencional e repetidamente, que ocorre sem motivação evidente, causando dor e angústia – sendo caracterizada também pela relação desigual de poder. Ele afeta o relacionamento social, o desempenho escolar e a saúde de crianças e adolescentes. A cultura de paz está no ideal pedagógico dos educadores e das escolas, mas deve ser seguida de ações com conteúdo para evitar essa forma de opressão", reitera o educador Cláudio Neto. 

Empreendedorismo social e inovação na educação transformam o mundo

27/03/2018

"Na educação, sendo ela do campo social, a inovação diz respeito a conceito, processo, estrutura ou metodologia que enfrenta os desafios do presente, produzindo mudanças positivas no mundo. E qual o sentido dessas mudanças, o que elas devem buscar superar? As desigualdades socioeconômicas, a degradação ambiental e os limites à democracia impostos pela concentração do poder econômico. Por isso, efetivamente inovadoras são as iniciativas que se voltam para o fortalecimento de participação, responsabilidade, colaboração, empatia, transparência, criatividade e descentralização. Característica básica da inovação social é ser criação daqueles que dela vão se beneficiar. Por isso não é possível replicar experiências inovadoras, como se elas pudessem gerar modelos prontos. [...] As aprendizagens mais importantes para que os jovens possam produzir mudanças positivas no mundo só podem acontecer em organizações educativas (escolas ou não) que se identificam como centros locais de produção e cultura, reinventando as estruturas, os processos e as metodologias para isso", afirmam especialistas da Ashoka.

Como educar nossas crianças?

21/03/2018

Bens de consumo, além de uma infinidade de brinquedos e jogos de todos os tipos e preços são exibidos em grandes quantidades diariamente nos canais com programação infantil. Estudo conduzido pelo Observatório de Mídia da Universidade Federal do Espírito Santo em parceria com o Instituto Alana e sob coordenação do Professor Edgard Rebouças, concluiu que as nossas crianças estão sendo submetidas a uma verdadeira overdose de comerciais exibidos nos intervalos dos canais infantis. O objetivo do trabalho é acompanhar e monitorar a publicidade dirigida às crianças em 15 emissoras de tevê, abertas e fechadas, nos períodos de grande apelo de consumo. "Os canais infantis são, em geral, bem vistos pelos pais. Desenhos e filmes exibidos possuem uma boa qualidade, divertem as crianças e, ao mesmo tempo, são capazes de transmitir conhecimentos e valores positivos. Infelizmente, esse apelo ao consumo em tenra idade faz um contraponto ruim aos benefícios citados. [...] O que esperar do futuro de uma sociedade que enxerga as suas crianças como consumidoras?", indaga o professor e jornalista Reinaldo Canto.

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