A educação brasileira e o mundo: onde estamos?

07/12/2016

Na edição de 2015, do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), cujos resultados foram divulgados ontem (06), a área em evidência foi a de ciências. "A baixa pontuação em ciências é preocupante porque, segundo o próprio Pisa, cerca de 40% dos estudantes brasileiros querem ter uma carreira profissional em áreas ligadas a ciência e tecnologia – e, como se vê, terão dificuldades em prosseguir os estudos. De maneira geral, o Pisa repete aquilo que já sabemos: nossos jovens chegam ao Ensino Médio – e saem dele – sem saber o suficiente para prosseguir os estudos e dominar as habilidades necessárias para exercerem as mais diversas profissões ao longo da vida. [...] Priorizar a educação é colocá-la no eixo central de desenvolvimento do Brasil, fazendo com que nossos jovens tenham mais oportunidades no futuro, onde quer que estejam e no que quer que trabalhem. Ao tomar conhecimento desses dados que nos colocam em comparação com o resto do mundo, alguém tem alguma dúvida da urgência disso?", indaga Priscila Cruz.

País diminuiu suas taxas de evasão e repetência, mas perde com os jovens fora da escola o mesmo que gasta no ensino médio

05/12/2016

Estudo mostra que os prejuízos do abandono escolar (consequência em boa parte da baixa aprendizagem e da repetência) são muito maiores do que os já conhecidos. "Na pesquisa, os autores primeiro calcularam o prejuízo financeiro individual que um aluno tinha por não conseguir completar o ensino médio, já que o rendimento médio no mercado de trabalho é menor entre aqueles que não chegaram a concluir essa etapa. Considerando o total de jovens nessa situação, a conclusão é de que, para o conjunto do país, há um custo privado da ordem de R$ 14 bilhões por ano [...] também estimaram em outros R$ 35 bilhões por ano o que eles chamaram de custo social com a evasão, pagos por toda a sociedade. Nesta conta entram gastos com saúde pública, segurança, valores que deixam de ser arrecadados com impostos, entre outras variáveis que são afetadas pela menor escolaridade do indivíduo. Se somados esses R$ 35 bilhões com os R$ 14 bilhões do custo privado, chegamos a uma quantia de R$ 49 bilhões anuais. Ou seja, o mesmo valor que investimos nos que ainda estão em sala de aula é perdido com os que a abandonaram", assinala Antônio Gois.

Uma escola para jovens, por um novo ensino médio!

02/12/2016

Precisamos conceber uma escola própria para o momento de vida que vivem os adolescentes. Atividades como grêmios, clubes de ciências, de dança ou esportes, podem e devem complementar as atividades estritamente acadêmicas. "O protagonismo do jovem deve ser entendido de forma mais ampla que a necessária escolha por ele de trajetórias educacionais. O aluno adolescente é alguém que deve ser ouvido, portador de um projeto de vida expresso em sonhos de futuro e de interesses presentes que o mobilizam para a aprendizagem. [...] além da possibilidade de um ensino técnico ou acadêmico, devem haver possibilidades de trilhas mais associadas às artes, aos esportes ou às ciências. Para completar o modelo, cabe incluir na escola o desenvolvimento de competências socioemocionais e não apenas cognitivas, para termos uma escola própria (nos dois sentidos do termo) para jovens do século 21", afirma Claudia Costin.

Os limites da educação na mobilidade social

28/11/2016

"É urgente debatermos essa cultura da desigualdade que está impregnada nos mais diferentes setores da sociedade com o discurso de que é melhor oferecer qualidade para alguns, pois pelo menos esses são salvos, do que não oferecer uma boa educação para nenhum. Para termos um Brasil mais igual, precisamos dar mais a quem tem menos, priorizando a universalização dos direitos, e não apenas das políticas. Isso exige políticas de longo prazo, customizadas de acordo com os diferentes territórios que apresentam diferentes realidades. Obviamente, a implantação de políticas para setores e territórios de alta vulnerabilidade social requer custos, muitas vezes mais altos. Mas é importante termos uma visão de longo prazo que inclua a todos, ainda que de forma gradual. O que não podemos mais admitir é a implantação de políticas que privilegiam poucos enquanto não há um planejamento para a igualdade de direitos de todos", assegura Neca Setubal.

A metade que falta para as princesas

22/11/2016

A psicóloga do Alana, Maria Helena Masquetti, traz um ponto de vista importante sobre as consequências da cultura da fragilidade para meninas e meninos. "É urgente refletir sobre o quanto a cultura da fragilidade coloca as mulheres cada vez mais para fora do cenário profissional e político. Em lugar de príncipes encantados, a verdadeira metade que falta para elas é, por exemplo, a ocupação igualitária nas tribunas e cargos públicos, a equiparação de seus salários com os de homens na mesma função, o fim da violência doméstica, a proibição de seu uso como mero objeto sexual tão impunemente visível até nos comerciais de cerveja e a erradicação dos estupros cuja culpa ainda recai muitas vezes sobre elas mesmas sob alegações cínicas, incluindo o tipo de roupa que estariam usando, principalmente se não for cor de rosa."

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