11/11/2016

5 feridas emocionais que podem deixar marcas na vida adulta

Por: 

Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal

Viver frustrações, ouvir ‘nãos’, ficar bravo ou triste, levar bronca, perder alguém ou alguma coisa… Tudo isso faz parte da vida e nos fortalece diante de circunstâncias difíceis. No entanto, algumas situações na infância, quando mal conduzidas, podem doer mais do que deveriam e marcar para sempre a nossa forma de ver e estar no mundo.

Não é “mimimi”, como dizem por aí. É real. Existem experiências que vivenciamos que nos magoam e nos fazem, muitas vezes, mudar comportamentos. Se acontece dessa forma conosco, os adultos, com as crianças não é diferente.

A primeira ferida emocional é o medo do abandono. Crianças negligenciadas por adultos, se não forem acolhidas por uma ou mais pessoas que se tornem suas referências cotidianas, terão dificuldade em estabelecer relações duradouras. O que é mais provável de acontecer é que, inconscientemente, acabarão abandonando seus pares, antes de novamente serem deixadas para trás. Por isso o vínculo, mais uma vez, é essencial!

A rejeição é uma das feridas emocionais mais profundas. Pais que demonstram não gostar de seus filhos, por exemplo, podem causar este problema, repercutindo na vida adulta dos filhos, que sofrerão de autorrejeição, baixa autoestima e a visão distorcida de que não são merecedores de afeto. Mostrar aos filhos, netos, sobrinhos que os ama, por meio do cuidado, da atenção, do carinho e do brincar, faz toda diferença na infância.

A terceira ferida é a humilhação. Ser recriminado sistematicamente, especialmente em público, sentir-se inferior a outras crianças, porque é constantemente comparada e criticada, sofrer agressão física, verbal e psicológica como formas de estabelecer limites são atitudes que humilham. Muitas crianças carregam essa ferida emocional, tornando-se adultos dependentes da aprovação alheia para se sentirem bem. Outros talvez reproduzam esse comportamento, humilhando as pessoas como forma de defender-se.

A traição sistemática também causa sequelas na vida da criança. Adultos que nunca cumprem promessas, que fazem jogos de chantagem com os pequenos, acabam gerando neles um misto de insegurança e desconfiança. Claro que não é uma regra, mas várias pessoas controladoras, tidas como de personalidade forte, talvez carreguem consigo a cicatriz dessa ferida, porque acham que, cuidando de tudo e todos, vão evitar novas traições.

Para encerrar, a quinta ferida é a injustiça. Normalmente, ela se dá em ambientes onde adultos usam da frieza e do autoritarismo para impor limites, o que faz crescer sentimentos de impotência e inutilidade, afinal, nunca nada está bom. Por isso, em muitos casos, crianças que trazem consigo essa cicatriz acabam se tornando adultos rígidos, obcecados pela ordem, extremamente perfeccionistas, com pouca flexibilidade para as situações adversas da vida.

Você deve ter notado que este post foge um pouco do que tem sido nossa conversa, na maioria das vezes. Saímos da infância propriamente dita para entrar na bagagem que nós, adultos, trazemos dela. O que queremos dizer com tudo isso é que as vivências que proporcionamos aos nossos filhos, alunos, pacientes, netos, sobrinhos vão repercutir na suas vidas futuras.

Se queremos formar uma geração de pessoas mais felizes e realizadas, é importante que estejamos atentos para não repetir erros que cometeram conosco e, sobretudo, nunca deixar de ouvir o que a criança tem a dizer, assim como mostrar o quanto ela é importante e amada.
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[Fonte: Fundação Maria Cecília Souto Vidigal]

 

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