14/11/2013

A cultura e o óbvio

Por: 

Paula Cesarino Costa

A educação é a base do consumo cultural. Pesquisa Datafolha sobre hábitos culturais no Rio mostra que, quanto maior o número de anos de estudo, maior é a frequência a cinemas, teatros e museus e a leitura de livros.

A maior barreira às práticas culturais é o desinteresse, índice puxado pelos menos escolarizados, e não a falta de dinheiro, como seria de supor. Essa razão dada por cariocas para não ir a cinemas, teatros ou museus foi a mesma dos paulistas.

A prática de atividades culturais é acima da média na zona sul, região da cidade em que o percentual de pessoas com ensino superior e de alta renda é maior. Em direção oposta, na zona norte, região de escolaridade e renda mais baixas, todos os indicadores são inferiores à média.

A pesquisa Datafolha, encomendada pela Secretaria Municipal de Cultura à JLeiva Cultura e Esporte, destrói ainda o senso comum de que carioca só pensa em boteco, praia e Carnaval.

Ele está tanto nos shopping centers como nas praias, e mais em museus do que pulando Carnaval.

Quando questionados sobre quais atividades costumam fazer no tempo livre, o que 95% dos entrevistados citaram foi "ouvir música".

Em seguida, há o costume de ir ao shopping (77%), ir à praia (74%), praticar esportes (74%), acessar a internet (71%) e ir ao cinema (69%) --sendo que 96% assistem a filmes, incluindo na TV e no computador. Surpreende que 64% afirmem ler livros (não didáticos), mais do que sair para beber (51%) ou ir a museus (34%).

As ruas superlotadas no Carnaval devem estar mesmo cheias de turistas, porque só 30% dos cariocas dizem participar de blocos carnavalescos e 22% frequentam escolas de samba.

A pobreza da vida explica muito do comportamento cultural. Só será enriquecida pela educação. Uma ideia desgastada, mas cuja força está em sua atualidade e pertinência, como um refrão de canção popular.

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Paula Cesarino Costa é jornalista. Paulistana, é diretora da Sucursal do Rio da Folha desde 2004. Desempenhou várias funções desde que entrou no jornal em 1987. Foi secretária de Redação, editora de política, de negócios e de cadernos especiais e coordenadora de treinamento. Escreve às quintas na página 2 da versão impressa da Folha.

 

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