22/05/2012

A mídia pode contribuir para o respeito aos direitos dos adolescentes em conflito com a lei

Por: 

Equipe ANDI

Segundo o diretor da FGV, Oscar Vilhena, é necessário tratar o jovem como sujeito de direitos

O curta-metragem Um passo para ir, de Eliane Caffé que conta a história de vida de João Batista dos Santos, mais conhecido como JB, motivou a primeira reflexão, realizada pelo diretor da FGV, Oscar Vilhena, no seminário Direitos em Pauta.

JB descobriu pela internet que nasceu em um quilombo, foi registrado como pardo, mas se considera negro. Ele estudou dos seis aos 12 anos em um colégio interno e quando saiu já foi para a FEBEM. Foram 12 anos de cadeia, sem receber nenhuma visita.

“A primeira coisa que fiz depois que sai foi querer estudar, entrei em uma escola. Mudei, e a minha vida mudou totalmente. Foi bom a experiência que eu tive, mas hoje tá melhor ainda”, relata.

Para Oscar Vilhena, a trajetória de JB não é um acidente e nem ocorre por forças aleatórias, é uma construção social que espelha a de muitos jovens brasileiros. Eles estão envoltos em invisibilidade e demonização que são aceitas socialmente. “É lamentável verificarmos que o tema da violência relacionada ao jovem é aquele que recebe a pior cobertura em termos de sua contextualização”, disse.

Hoje, JB luta boxe e montou uma academia sob o viaduto da Av. 9 de Julho, em São Paulo. Já teve vontade de ser branco para ver a atitude das pessoas para com ele. Mas reafirma o orgulho de ser negro “onde tudo se conquista na batalha, com dignidade e pela luta”.

Com o exemplo do curta de Eliane Caffé, Vilhena afirmou que a sociedade brasileira precisa de uma cobertura contextualizada sobre as questões da exclusão social. “Precisamos ter uma cobertura que trate o adolescente em conflito com a lei como um sujeito de direitos”.

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 Comentários

Quantos JBs, como membro do CMDCA, encontrei em meu caminho...quantos gostaria que tivessem a mesma chance...