Março 2019

Nenhum menino ou menina deveria sentir medo de ir à escola

21/03/2019

"Em meio ao legítimo clamor por segurança, o que ainda não é uma demanda social é a implementação da cultura de paz e educação em direitos humanos nas escolas. A solução não é armar os professores. Nas palavras de Malala, ativista paquistanesa e Prêmio Nobel, “uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo”. O papel da escola não é unicamente ensinar disciplinas. A escola faz, sim, parte de um sistema de garantia de direitos e tem uma função essencial na construção da cidadania. É importante a atuação articulada com os demais atores, como assistência social, cultura, habitação e saúde física e mental. A escola é uma ponte entre a vida familiar e a vida pública e muitas vezes é o professor quem consegue identificar possíveis transtornos de comportamentos, quadros de depressão e até de violência doméstica. Educação integral não é apenas escola em tempo integral, mas o desenvolvimento completo do ser humano nas suas mais diversas dimensões", assinala Bruna Ribeiro, jornalista e especialista em Direito Internacional.

Coberturas de comoções sociais com adolescentes exigem cuidado em dobro

14/03/2019

"Precisamos chegar a um nível de cobertura jornalística que não ultrapasse limites. É questão de exercitar o olhar sensível. 'A regra é o bom senso. Temos que noticiar, zelar pela integridade da noticia, não sonegar imagens, mas também não espetacularizar o sofrimento alheio. É uma linha tênue e difícil', afirma o premiado jornalista Marcelo Canellas, que cobriu, no Fantástico da TV Globo, tragédias como o caso da Boate Kiss. 'O repórter precisa adotar uma postura respeitosa, de interlocução, de dar voz a quem quiser se expressar e respeitar o silêncio de quem prefere optar pelo luto solitário', diz Canellas, que também é Jornalista Amigo da Criança. Notícia não é espetáculo. Jornalismo não é entretenimento. Dar contornos sensacionalistas para tragédias como essas nos torna corresponsáveis pela desilusão, solidão e angústia que sentem as pessoas. Cuidemos de nossos adolescentes. Nessa fase, tudo parece muito mais potencializado. Inclusive a dor da alma que leva a alguém a cometer o impensável", afirma a jornalista Maria Carolina Trevisan, titulada em 2015 como Amiga da Criança.