16/12/2013

Bullying não é brincadeira

Por: 

Fátima Lucas

Já de há muito me incomoda a visão simplista sobre os casos anunciados de bullying, colocando sempre os seus protagonistas em lugares muito bem definidos e difundindo a ideia de que esse fenômeno começa e termina na escola, como se fosse um problema que se encerra em si mesmo, sem considerar mais profundamente variantes relacionadas aos fatores que levam a vítima e o agressor a se envolver com esse tipo de situação. Diante de tal fenômeno, sempre presente no cotidiano da escola, os(as) estudantes, às vezes acompanhados(as) de seus familiares, invadem os espaços de coordenação e direção à procura de uma providência para coibir o bullying que, segundo eles, está bem caracterizado. De tão repetido e debatido nos últimos tempos, o termo ganhou tamanha popularidade que virou rótulo para qualquer situação de conflito no ambiente escolar ou até de piadinhas sarcásticas sempre trocadas por adolescentes.Temos visto, de forma às vezes desmedida, a interferência de pais e educadores nas pendengas infantis e de adolescentes, o que acaba alimentando dificuldades para que eles(as) se relacionem com essas situações, numa perspectiva de desenvolverem uma independência e autonomia para lidar com conflitos. Será sempre importante destacar a necessidade de delimitarmos o que é um episódio que merece essa classificação e, principalmente, quando uma intervenção é recomendável, priorizando uma escuta atenta aos protagonistas da cena.

Tags: 

  • Direitos e Justiça
  • Direitos Humanos
  • ECA
  • Educação