18/09/2012

Chacina da Chatuba mostra que os jovens precisam mais do que políticas de segurança

Por: 

Equipe ANDI

 

“A gente sente, no Rio de Janeiro, que com a instalação das unidades pacificadoras em determinados locais, houve uma migração de criminalidade para outros espaços.

Talvez não seja exatamente o caso da Chatuba, porque eu sou juíza desde 1998 – e desde então ouço que a Chatuba, esse local da baixada fluminense onde estão as pessoas responsabilizadas pela chacina, é uma das comunidades mais perigosas do Rio de Janeiro.

Um fato que me preocupa muito é como a segurança pública está lidando com a questão do tráfico e do ingresso cada vez mais precoce de adolescentes nesse universo, que disputa, apresenta e liga o jovem à ação criminosa e ao chefe do tráfico local que também é um adolescente de 16 anos.

Parece-me que a segurança não tem uma orientação segura de como lidar como esse público jovem. A impressão é de que até a abordagem do tráfico de drogas não questiona as causas, os motivos dessa atividade. Parece focar só nas conseqüências desse tipo de ação criminosa.

Acima de tudo, o que falta? O investimento maior na prevenção do ingresso desses jovens no mundo da criminalidade. São necessárias políticas públicas, que não se restrinjam somente à segurança pública, como políticas de educação, políticas de saúde, políticas voltadas para a família. Essa é a forma de não tentar remediar a situação, quando acontece algo tão calamitoso como foi esse ato praticado por jovens contra jovens, em Nilópolis.

Cristiana Cordeiro – Juíza Auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e responsável pelo Projeto Justiça Jovem. Foi juíza durante três anos em Nilópolis e tem titularidade na 7ª Vara Criminal de Nova Iguaçu. 

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