17/02/2017

Como orientar crianças e jovens sobre o uso responsável da Internet?

Por: 

Renata Melocchi Alves*

Segurança na Internet é um tema muito importante nos dias de hoje. Por isso reunimos aqui mais informações e dicas fundamentais da 9ª Edição do “Dia da Internet Segura 2017”, realizado no dia 7 de fevereiro, em São Paulo, que tivemos o prazer de acompanhar de perto. O evento envolveu e uniu integrantes da sociedade civil e do poder público comprometidos com a temática da proteção da privacidade, da saúde (mental e física), dos direitos humanos e da segurança na era digital. Com os debates do Dia da Internet Segura aprendemos que precisamos nos resguardar e saber como orientar e educar os jovens e as crianças de nossas vidas para atuarem de forma segura e consciente no mundo digital.

INFORMAÇÃO é tudo, mas…

Sabemos que a melhor prevenção é a INFORMAÇÃO, contudo, a forma como ela é transmitida tem fundamental importância em se tratando de jovens e crianças. Podemos imaginar qual será a receptividade se falarmos “Fulano, não quero você postando nudes ou compartilhando mensagens violentas”. O jovem muitas vezes pensa “ah tá, você não sabe nem a diferença entre twitter e youtube e vem me passar sermão de como me portar na internet…”.

Sentimos informar que no tocante aos jovens a proibição simplesmente NÃO FUNCIONA e no tocante às crianças a proibição só funcionará temporariamente e de forma precária. Bem, e agora? Agora é a parte mais trabalhosa e árdua, mas a única que pode ter efetividade: conversa franca, diálogo, participação efetiva na vida do jovem e criança (se nos interessarmos desde sempre pela vida off line dos filhos será muito mais fácil ter acesso ao que acontece na vida online deles e, aí sim, saber no que e como orientar).

No caso das crianças, essa conversa precisa ser simples, lúdica, acessível. No caso dos jovens é importante controlar a vontade de passar sermões. Em ambos os casos estão formando sua individualidade e visão sobre o mundo, precisam de MEDIAÇÃO, de alguém que os façam ter consciência sobre seu comportamento e sobre os riscos que podem enfrentar.

Novamente frisamos que CAPACIDADE TECNOLÓGICA (das crianças e jovens) não se confunde com CAPACIDADE CRÍTICA. Não importa se o adulto é usuário ou não das ferramentas tecnológicas atuais: é dele a responsabilidade de dizer o que é certo ou errado no mundo (virtual ou não). COMO DIZER é o ‘pulo do gato’, como falamos logo acima.

SAÚDE de jovens e crianças na internet

A Internet comumente transmite uma FALSA SENSAÇÃO DE ANONIMATO, de modo que as crianças e jovens podem ser vítimas de CYBERBULLYING ou mesmo AUTORES dessa prática!

Ofender outra criança ou jovem de algo reprovável ao vivo (o que já pode gerar consequências administrativas e jurídicas aos responsáveis, dependendo da situação) é diferente do que fazê-lo na Internet. Nesse caso, a situação toma uma DIMENSÃO inimaginável, rapidamente se propaga e dificilmente o autor da ofensa (criança ou jovem) conseguirá excluir do mundo digital o seu ato. Leia-se: CAMINHO SEM VOLTA. Vale dizer que as consequências também são potencializadas e o Judiciário já está dirimindo conflitos oriundos dessas situações.

Num caso ou no outro, o jovem/criança ofensor e o jovem/criança ofendida NÃO POSSUEM MATURIDADE EMOCIONAL para lidar com as consequências e com a opinião alheia, desaprovação coletiva ou até mesmo o desprezo e ridicularização social. Sua SAÚDE psíquica fica comprometida. São comuns casos de baixa autoestima, depressão, agressividade, medo e outros sentimentos negativos.

Precisamos então repetir e fazê-los introjetar a célebre frase: “NÃO FAÇA COM OS OUTROS O QUE NÃO GOSTARIA QUE FIZESSEM COM VOCÊ”, simples assim. Respeito e Empatia começam dentro de casa e com EXEMPLOS, muito mais do que com palavras.

Outra questão de SAÚDE relaciona-se com o USO EXCESSIVO da tecnologia digital, colocando em risco a saúde física e psicológica, além de atrapalhar o rendimento escolar e a vida de relação no mundo off-line. Aqui valem os combinados realizados entre responsáveis e jovens/crianças: muita conversa e presença ao fixar os limites de uso da internet.

Por hoje é isso. Em breve falaremos sobre CONTROLE PARENTAL, que são recursos de segurança disponíveis em diversos sistemas operacionais, sites e equipamentos e como transmitir conceitos aos jovens e crianças sobre PRIVACIDADE online.
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*Renata Melocchi Alves é advogada pela PUC/SP, pós-graduada em Direito das Relações de Consumo pela mesma instituição, integrante da Rede Brasileira Infância e Consumo e cocriadora da página Infância de Condão.

[Fonte: REBRINC]

 

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