03/02/2017

Estudantes criadores

Por: 

Ana Maria Diniz*

Currículos integrados, novas metodologias, inserção tecnológica, espaços coloridos e multifuncionais. Não faltam sugestões, soluções e exemplos práticos para se reinventar o ensino tradicional, totalmente falido. Mas o que, de fato, será implementado nas escolas do Brasil e do mundo nos próximos anos? Quais tendências vão direcionar a tão necessária e aguardada revolução na Educação?

Parte da resposta está no relatório Horizon Project 2016, realizado pelo New Media Consortium (NMC) em parceria com o Consortium for School Networking (CoSN). Divulgado no final do ano passado, o documento traz previsões sobre o que deve acontecer na Educação básica nos próximos cinco anos. De seis tendências analisadas, duas devem se institucionalizar entre um e dois anos: “estudantes criadores” e “letramento digital”, dois aspectos que compõe o movimento maker no ensino, também chamado de educação mão na massa.

A popularização desses dois conceitos já está em curso, em fase adiantada. Segundo a pesquisa, no mundo inteiro é cada vez mais comum encontrar escolas onde os alunos não são mais meros consumidores de informação, que apenas absorvem o que lhes é dito, mas sim criadores do próprio conhecimento. Isso é possível graças a uma gama de ferramentas digitais que permite a cada estudante investigar, roteirizar e produzir diferentes conteúdos em diferentes formatos. O que é mais interessante é que quem dita a regra do que deve ser aprendido é o interesse do próprio aluno.

Com o ensino de programação e robótica, também mais frequente do que nunca nas escolas, esses alunos podem ir além e criar seus próprios games, apps e dispositivos eletrônicos. Dessa forma, assumem também o papel de inventores.

A disseminação da cultura que aproxima o pensar do fazer nas escolas é uma notícia a ser comemorada. Muito mais do que ter computadores, tablets e outras tecnologias à disposição, a educação maker ou mão na massa é uma maneira de desenvolver, em cada aluno, todo o seu potencial. Ao porem suas mãos na massa, os alunos se fazem perguntas e buscam respondê-las de diferentes maneiras, por meio da experimentação. Ao contrário da abordagem tradicional, na educação maker o erro faz parte do aprendizado, motiva o aluno a transpor seus limites sem se preocupar em falhar e serve de insumo para a adoção de novas estratégias.

Numa sociedade que pretende criar novos caminhos e soluções para o mundo atual, isso é fundamental. Por meio do fazer, aprende-se a pensar. Ao pensar, surgem novas dúvidas, que devem ser investigadas e testadas. Assim, os estudantes têm a possibilidade de exercitar a criatividade, a curiosidade, a persistência e a colaboração, as tão aclamadas competências do século 21.

Mas para que os sistemas escolares evoluam como um todo é preciso fazer essa cultura maker penetrar mais nas escolas, reestruturando currículos e perdendo o medo de  deixar as crianças mais ativas no processo de aprendizagem, de acordo com os seus interesses.

Segundo o relatório, daqui a cinco anos ou mais, haverá o redesenho dos espaços de aprendizagem e toda a experiência escolar será repensada. Temos que fazer de tudo para acelerar essas mudanças tão relevantes para revolucionar definitivamente a Educação.
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*Ana Maria Diniz é empresária, uma das fundadoras do movimento Todos Pela Educação, parceria público-privada que visa melhorar a qualidade da educação básica no Brasil. E é também conselheira da Parceiros da Educação, ONG que estimula empresas e empresários a adotarem escolas públicas.

[Fonte: Estadão.Edu]

 

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