22/05/2012

Fotojornalismo não é ilustração, é conceito

Por: 

Equipe ANDI

Jornalistas devem repensar a questão da inclusão a partir do direito à informação

Vencer o estigma da violência em comunidades da periferia por meio da fotografia. Esse foi o tom do papo aberto do primeiro dia de programação do Seminário Direitos em Pauta – Imprensa, Agenda Social e Adolescentes em Conflito com a Lei.

A representação que a grande mídia faz das favelas como um local isolado das áreas mais desenvolvidas economicamente, como se a primeira reunisse o feio e a segunda o belo, de acordo com os palestrantes, está longe de ser a realidade. “Precisamos refletir sobre a construção jornalística. Se as pessoas têm uma beleza não mostrada, elas acreditam em como são pintadas pelos meios de comunicação”, aponta o fotógrafo e militante de Direitos Humanos, João Ripper.

Essa representação equivocada tem reflexo na autoestima de quem mora nessas comunidades e na visão que se tem delas. Para Ripper, a inclusão passa por uma mudança de conceito, que pode ter a colaboração da imprensa, desde que se alterem os atuais padrões de cobertura. “O direito de informação é direito de todos. Devemos brigar internamente e buscar espaço nas redações”.

Para combater esses preconceitos, que atingem principalmente adolescentes em conflito com a lei, em especial se forem negros, João Ripper, o também fotógrafo Dante Gastaldoni e Jailson Oliveira, do Observatório de Favelas, incentivam projetos de fotografia popular. Uma maneira de representar a vida e a cultura desses locais considerados marginalizados.

Um desses projetos deu origem a exposição Sonhos Velados, com fotografias feitas por adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa. “Para trabalhar imagens com meninos e meninas que não podiam aparecer, tivemos que usar outros recursos, como fotografar em movimento, por exemplo. Surgiram imagens intensas, de uma expressividade tão grande que há quatro anos são expostas em diferentes locais”, ressaltou Dante.

A exposição, que faz parte da programação do seminário e está no espaço Ecco, em Brasília, foi o embrião da TV Novo Degase. Michelle Félix, jovem que cumpriu medida socioeducativa, emocionou a todos com seu depoimento e mostrou que a vontade de vencer desafios, aliada a oportunidades, representam a chance de superação. “Quando a gente quer, a gente consegue”, assegurou.

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