21/11/2012

Jornalista Amigo da Criança Mauri König dedica Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa a Tim Lopes

Por: 

Cristina Sena

O repórter da Gazeta do Povo, e Jornalista Amigo da Criança Mauri König, recebeu ontem (20) o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa 2012. O reconhecimento é concedido pelo Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ) a profissionais que arriscaram a vida para revelar abusos de poder e violações aos direitos humanos.

Durante a cerimônia, em Nova York, König dedicou a premiação a colegas que pagaram com sua vida “por lutar por um mundo melhor pensando no bem comum”, em especial a Tim Lopes. O produtor da TV Globo foi morto em 2002 durante uma reportagem sobre tráfico de drogas e exploração sexual infanto-juvenil no Rio de Janeiro.

"Já tinha recebido mais de 20 prêmios por reportagens publicadas, mas agora é uma homenagem a minha trajetória, a toda uma vida dedicada ao jornalismo, por isso é especial", disse à Agência Efe antes de receber o reconhecimento.

A jornalista liberiana Mae Azango e os jornalistas encarcerados Dhondup Wangchen (China) e Azimjon Askarov (Quirguistão) também foram homenageados pelo CPJ. Askarov está cumprindo prisão perpétua por sua cobertura sobre corrupção governamental, e Wangchen seis anos de prisão após documentar a vida tibetana sob o domínio chinês.

Trajetória
Jornalista Amigo da Criança desde 2003, Mauri König é repórter especial da Gazeta do Povo, no Paraná, e vencedor de duas edições do Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, promovido pela ANDI e pela Childhood Brasil. Em 22 anos de carreira, conquistou 22 prêmios de jornalismo, entre eles dois Esso, dois Embratel, quatro Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. König tem ampla experiência na cobertura dos temas relacionados aos direitos humanos, em especial exploração sexual de crianças e adolescentes. Publicou em 2008 o livro-reportagem "Narrativas de um correspondente de rua", finalista do Prêmio Jabuti.

Com suas reportagens, König mostrou a ligação da Polícia brasileira com ladrões de veículos no Paraguai, investigou o tráfico de pessoas na chamada Tríplice Fronteira e denunciou a exploração sexual de meninos e meninas no litoral.

Tido como o "inimigo número um" da Polícia do Paraná, König há anos sofre "agressões, ameaças de morte e pressões", mas assegura que ama sua profissão e não pensa em abandonar o País.

Profissão de risco
Segundo dados do Comitê de Proteção aos Jornalistas, três repórteres morreram no Brasil neste ano por motivos relacionados ao seu trabalho. Em duas décadas, 21 profissionais perderam a vida em decorrência de sua atuação profissional.

Conheça as matérias de König vencedoras do Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo:
Um país a mercê do turismo pedratório
A infância no limite
Leia a entrevista concedida por ele ao Blog da ANDI sobre jornalismo e direitos Humanos

(Fonte: UOL Notícias e Instituto Internacional de Ciências Sociais)

Tags: 

  • Direitos Humanos