20/02/2013

Ministério Público exige retratação de Datena, que responsabilizou ateus pelo aumento da violência

Por: 

Equipe ANDI

A liberdade de expressão no País aceita que um apresentador de TV critique os ateus e os responsabilize pelo aumento da violência? O Ministério Público de São Paulo diz que não, e exige uma retratação do apresentador Datena, da TV Bandeirantes. Em 2010, analisando o crescimento da violência, Datena acusou os ateus. Veja a opinião de Célia Ladeira Mota, pesquisadora associada do Programa de Pós-graduação da FAC/UnB, sobre o caso:

      Um dos princípios da liberdade de expressão é o do respeito a uma outra opinião e, para isso, é necessário evitar a ofensa ou a agressão moral. No caso do programa do apresentador Datena, exibido pela TV-Bandeirantes em 2010, considero que foram levianas as repetidas afirmações do apresentador de que “quem não acredita em Deus é capaz de realizar crimes”.  É uma premissa falsa. A fé ou a ausência dela não são determinantes das atitudes sociais ou anti-sociais de quem quer que seja.

      Considero um simplismo afirmar que o aumento da violência na cidade de São Paulo se deve a uma ausência de religião. O apresentador deveria compreender que é a falência do Estado de bem-estar social, incapaz de garantir um nível de segurança em saúde, educação e moradia a uma população marginalizada que cresce a cada dia, a causa ou uma das causas do aumento da criminalidade naquela cidade e no Brasil como um todo.

       Defendo a liberdade de expressão, mas considero que ela não existe sem limites. Estes limites incluem a crítica ou a zombaria de líderes de quaisquer religiões, como já se fez recentemente contra o profeta Maomé, em vídeo e em jornais. Da mesma forma, se não devemos ofender a quem segue esta ou aquela religião, também devemos respeitar quem se diz ateu, o que é uma crença como outra qualquer.

        O Ministério Público de São Paulo acertou ao exigir a retratação do apresentador da TV-Bandeirantes. 

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