10/02/2017

O caminho da Educação de qualidade

Por: 

Ricardo Falzetta e Pricilla Kesley*

O período de transição de gestões ou mandatos é um momento conveniente para que os cidadãos façam um balanço do que está e do que não está dando certo em sua cidade. Muitos municípios estão passando por trocas de equipes nas secretarias, e os projetos e ações das pastas estão sob análise. É oportuno saber o que está funcionando e o que não está, e exigir continuidade ou mudanças.

Na área da Educação municipal não poderia ser diferente. Em um panorama geral, os capixabas podem comemorar o avanço da parcela de estudantes com aprendizagem adequada em Língua Portuguesa e Matemática no Ensino fundamental, que, ano a ano, vem crescendo, principalmente entre 2013 e 2015. A análise faz parte do monitoramento da Meta 3 do Todos Pela Educação Todo Aluno com aprendizado adequado ao seu ano , realizado com base na proficiência dos Alunos na Prova Brasil e no Saeb.

Apesar do quadro positivo, o ritmo não é o mesmo para toda a etapa. Apenas o desempenho dos Alunos do 5° ano (antiga 4ª série) em Língua Portuguesa (57,3%) atingiu a meta (56,1%) esperada pela organização. Em Matemática, 42,5% tiveram um desempenho satisfatório mas ficaram 4,2 pontos percentuais abaixo do esperado.

Assim como em todo o país, a situação é ainda mais preocupante no 9º ano, cujos índices vêm crescendo em menor velocidade e atingindo menores percentuais. Em 2015, apenas 33,4% dos estudantes dessa etapa, em Vitória, atingiram nível adequado em Língua Portuguesa, e 17,5% em Matemática.

Os dados revelam que um número maior de crianças tem acesso a uma Educação de qualidade, mas isso não é o suficiente: todas têm de ter esse direito garantido e esse é o dever máximo de cada gestor municipal. Para que isso aconteça, no entanto, a pasta de Educação e o prefeito precisam olhar para as dificuldades das Escolas de maneira individualizada, mapear e dar continuidade aos bons projetos educacionais, independentemente da troca de gestores e secretários, bem como possibilitar o intercâmbio de experiências entre as unidades de Ensino.

O desafio é grande tão grande que a qualidade do Ensino passou a ser meta estabelecida em lei: a meta 7 do Plano Nacional de Educação, que entre outras ações estabelece a criação e a implementação de um currículo nacional. A Base Nacional Comum Curricular, atualmente em fase de finalização, será um instrumento valioso, por definir de maneira transparente o que os Alunos brasileiros têm o direito de aprender. Com esse documento em mãos, será possível traçar perspectivas para a formação Docente, metodologias para a sala de aula e, mais importante, caminhar efetivamente em direção a uma Educação de qualidade para todos os capixabas e para todos os brasileiros.
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*Ricardo Falzetta é gerente de Conteúdo do movimento Todos Pela Educação, jornalista e matemático. Atua na área de Educação há 20 anos, tendo sido repórter e editor da revista Nova Escola.
*Pricilla Kesley é jornalista e repórter do Todos Pela Educação.

[Fonte: Todos Pela Educação]

 

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