13/12/2013

Que falta faz aquelas brincadeiras de rua!

Por: 

Juliano Silvestre

Nesse Natal, de acordo com pesquisa do jornal Folha de São Paulo, as crianças pela primeira vez estão preferindo ganhar um tablet do que bicicleta e patins.

Essa tendência que já é observada há muito tempo por todos nós, que somos pais, reflete as mudanças de valores e costumes da nossa geração. Na década de 70 e 80, na minha infância, jogávamos futebol, queimada, “Beth”, pique-pega e tantos outros jogos ao ar livre.

Essas brincadeiras criavam na criança o senso da hierarquia, da honestidade e da comunicação em grupo. Não que as crianças de hoje não possuem essas virtudes, o problema está no excesso de liberdade repassado às crianças. Nesses jogos o céu era o nosso limite, a vontade de ganhar do nosso competidor era enorme e no final ficávamos suados e felizes. Praticava-se várias modalidades de esportes na rua – vôlei, basquete, futebol – e hoje as nossas ruas servem só para os traficantes e bandidos.

Reconheço que a tecnologia avançou sobre todos nós, em uma velocidade exacerbada. Palavras como delete, download e password ficavam somente nos dicionários de inglês e atualmente são corriqueiras dentro do nosso vocabulário.

Voltando as “brincadeiras de rua”, as crianças eram logo cedo despertadas pelos amigos para brincarem, para correrem e até para subirem em árvores. E agora? Estão cada vez mais obesas, lentas e individualistas, pois os jogos eletrônicos derrubaram a amizade verdadeira. As amizades virtuais são muitas, porém acaba-se na mesma velocidade de uma banda larga. Não sou psicólogo e nem pedagogo, mas apenas um pai preocupado com o futuro dos nossos jovens.

O mercado de trabalho a cada dia está mais seletivo. Pessoas com grandes currículos têm de sobra. O problema é a escassez de virtudes e habilidades interpessoais. Ninguém ganha sozinho – somente no jogo eletrônico ou na Mega Sena – e muito menos perde sozinho. E são conceitos que toda empresa admira no seu funcionário. É a capacidade de interagir com seus colegas de trabalho, a sua capacidade de tomar decisões, de liderar discussões e aquela garra de ganhar o jogo. Isso é que falta na maioria das empresas. Por isso, que hoje existem cursos, palestras e workshops para tentar melhorar essas habilidades. 

Precisamos ensinar e forçar os nossos filhos a praticar esportes, andar de bicicleta e patins, correr, balançar e principalmente transpirar. No mundo atual, aquela pessoa que não veste a camisa da empresa, que não mostra determinação e não tem nenhuma capacidade para lutar está fora do jogo. Ou então será igual “toco na enchente”, para onde a correnteza te levar você estará indo.

Precisamos ter atitude, ser esforçado, não ter medo de arriscar e de cair. Nos nossos jogos de rua, essas habilidades eram todas desenvolvidas.

O que temos que encontrar é o meio termo. Pois também a tecnologia ajuda a desenvolver o raciocínio da criança. Só assim é que no futuro teremos uma mão de obra menos alienada e mais focada em resultados, em cumprimento de metas e principalmente saber respeitar ao próximo. Pois nesses jogos virtuais, o seu próximo poderá estar a léguas de distância de você. E como irá entendê-lo e a respeitá-lo, se não o conhece? Pense nisso pais, em vez de darem tablets nesse Natal, vamos dar mais amor, mais companheirismo, vamos correr, brincar, chorar e rir juntos com nossos filhos.

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