Direitos e Justiça

Todos juntos pela infância

29/05/2018

"Investir na Primeira Infância é mais eficiente e mais 'barato' do que conter os gastos futuros e, principalmente, os prejuízos – prejuízos estes que se manifestam, individual e socialmente, em diversas esferas, como saúde, escolaridade e renda/emprego. No entanto, investir na Primeira Infância, apesar de fundamental, não é realidade no Brasil nem em diversos países. Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado em 2017, mostrou que 32 países – onde vivem, no total, 85 milhões de crianças abaixo dos cinco anos – ainda não tinham as três políticas que a entidade propõe: dois anos de Educação pré-primária gratuita, direito de amamentação no trabalho durante os primeiros seis meses do bebê e licença parental para pais e mães. [...] Estamos em um ano em que precisamos tomar, nas urnas, decisões que podem mudar finalmente o rumo do Brasil. Os candidatos precisam, urgentemente, olhar para nosso futuro – as crianças", alerta Priscila Cruz, presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação.

Como afastar nossos jovens do crime?

16/05/2018

O Brasil teve em 2017 o maior número de mortes violentas do mundo – foram cerca de 60 mil pessoas assassinadas. Morreu mais gente violentamente no Brasil do que em muitas das guerras civis que ocorreram na última década. Grande parte das vítimas são jovens, homens, negros e moradores de bairros pobres. Metade das mortes de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil hoje é causada por assassinatos. O custo econômico e social dessa tragédia é exorbitante. "O Brasil passa por uma crise de crime e violência e a solução para ela terá que vir de políticas que deem mais oportunidades para nossos jovens. Mais e melhores escolas e acesso ao mercado de trabalho são as únicas armas que temos para competir com o crime organizado. A intensificação do uso da força, seja por meio da polícia ou do Exército, será sempre uma política paliativa — consequência da nossa falha como sociedade de prover oportunidades mais iguais para a nossa juventude", pontua o professor Claudio Ferraz.

Um olhar para o começo da vida

12/04/2018

"Combater alta dos homicídios passa por medidas voltadas a infância e juventude. Entre as estratégias cuja eficácia está amparada por evidências estão as voltadas para o desenvolvimento na primeira infância e de habilidades parentais, com objetivo de fortalecer a relação entre crianças e seus responsáveis, criando famílias mais estáveis. Estão incluídos também políticas e programas voltados para o emprego juvenil. A criação de espaços públicos que possam contribuir para a convivência saudável entre adolescentes e o estabelecimento de relações pacíficas, com o apoio de metodologias já testadas, também é fundamental. Mais iniciativas que olhem para o começo da vida de brasileiros e brasileiras são urgentes não apenas pelo fato de a nossa juventude estar sendo brutalmente vitimada, mas também porque isso apresenta uma relação de custo-benefício alta. Para avançar nessa abordagem, precisamos de lideranças fortes, em especial prefeitos e governadores, dispostos a desenvolver e implementar planos integrais de prevenção e redução de violência que levem em consideração quais populações estão em situação de maior vulnerabilidade", sinaliza a cientista política Ilona Szabó de Carvalho.

Como combater o bullying na escola

06/04/2018

O bullying já é considerado um problema de saúde pública no Brasil. Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) aponta o Brasil como quarto país com maior prática de bullying no mundo. Dados mostram que 43% dos estudantes de 11 a 12 anos disseram ter sido vítimas de violência física ou psicológica na escola pelo menos uma vez em outubro do ano passado. "No ambiente escolar, o bullying pode ser definido como uma forma de agressão praticada por um ou mais estudantes contra outro(s), de maneira intencional e repetidamente, que ocorre sem motivação evidente, causando dor e angústia – sendo caracterizada também pela relação desigual de poder. Ele afeta o relacionamento social, o desempenho escolar e a saúde de crianças e adolescentes. A cultura de paz está no ideal pedagógico dos educadores e das escolas, mas deve ser seguida de ações com conteúdo para evitar essa forma de opressão", reitera o educador Cláudio Neto. 

A zona cinzenta da publicidade online

15/03/2018

Estratégias de marketing na internet colocam consumidor em dúvida: certas publicações são opinativas ou, na verdade, mensagens publicitárias? A incerteza sobre o caráter – opinativo ou publicidade de determinado conteúdo online torna-se ainda mais preocupante quando o público-alvo são crianças. Diferentemente de um adulto, a criança, em razão de sua idade, não tem condições de entender completamente o caráter persuasivo de uma mensagem publicitária. Por conta disso, toda publicidade que lhe é direcionada é considerada abusiva, já que tira proveito de sua peculiar condição de desenvolvimento para persuadir-lhe ao consumo de determinados produtos e serviços. "Na era de triunfo da Internet, é importantíssimo pensarmos em como criar mercados digitais mais justos, com práticas de publicidade online que respeitem os direitos do consumidor. E isso requer transparência acerca das relações comerciais entre empresas e influenciadores digitais. Mas, em especial, a fins de respeitar os direitos das crianças, é preciso acabar com a publicidade direcionada a criança, inclusive aquelas que são disfarçadas como opinião. E isso só vai acontecer quando toda a sociedade, incluindo Estado e empresas, estiver mobilizada para exigir condutas éticas e justas, com práticas publicitárias cumpridoras da legislação nacional", assinalam Ekaterine Karageorgiadis e Thaís Harari, coordenadora e advogada do programa Criança e Consumo.

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