ECA

Como educar nossas crianças?

21/03/2018

Bens de consumo, além de uma infinidade de brinquedos e jogos de todos os tipos e preços são exibidos em grandes quantidades diariamente nos canais com programação infantil. Estudo conduzido pelo Observatório de Mídia da Universidade Federal do Espírito Santo em parceria com o Instituto Alana e sob coordenação do Professor Edgard Rebouças, concluiu que as nossas crianças estão sendo submetidas a uma verdadeira overdose de comerciais exibidos nos intervalos dos canais infantis. O objetivo do trabalho é acompanhar e monitorar a publicidade dirigida às crianças em 15 emissoras de tevê, abertas e fechadas, nos períodos de grande apelo de consumo. "Os canais infantis são, em geral, bem vistos pelos pais. Desenhos e filmes exibidos possuem uma boa qualidade, divertem as crianças e, ao mesmo tempo, são capazes de transmitir conhecimentos e valores positivos. Infelizmente, esse apelo ao consumo em tenra idade faz um contraponto ruim aos benefícios citados. [...] O que esperar do futuro de uma sociedade que enxerga as suas crianças como consumidoras?", indaga o professor e jornalista Reinaldo Canto.

A zona cinzenta da publicidade online

15/03/2018

Estratégias de marketing na internet colocam consumidor em dúvida: certas publicações são opinativas ou, na verdade, mensagens publicitárias? A incerteza sobre o caráter – opinativo ou publicidade de determinado conteúdo online torna-se ainda mais preocupante quando o público-alvo são crianças. Diferentemente de um adulto, a criança, em razão de sua idade, não tem condições de entender completamente o caráter persuasivo de uma mensagem publicitária. Por conta disso, toda publicidade que lhe é direcionada é considerada abusiva, já que tira proveito de sua peculiar condição de desenvolvimento para persuadir-lhe ao consumo de determinados produtos e serviços. "Na era de triunfo da Internet, é importantíssimo pensarmos em como criar mercados digitais mais justos, com práticas de publicidade online que respeitem os direitos do consumidor. E isso requer transparência acerca das relações comerciais entre empresas e influenciadores digitais. Mas, em especial, a fins de respeitar os direitos das crianças, é preciso acabar com a publicidade direcionada a criança, inclusive aquelas que são disfarçadas como opinião. E isso só vai acontecer quando toda a sociedade, incluindo Estado e empresas, estiver mobilizada para exigir condutas éticas e justas, com práticas publicitárias cumpridoras da legislação nacional", assinalam Ekaterine Karageorgiadis e Thaís Harari, coordenadora e advogada do programa Criança e Consumo.

Como nossa sociedade mata a juventude – agora e no futuro

23/02/2018

Violências das mais diferentes formas que crianças e adolescentes sofrem ao longo da vida impactam, sim, na conformação e na manutenção de trajetórias infracionais. "Mais um relatório aponta em números uma situação há muito conhecida no Brasil: o país mata seus jovens. Realizado no contexto da Resolução da ONU - Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, o estudo foi elaborado pela Fundação Abrinq para analisar a condição atual de crianças, adolescentes e jovens brasileiros, de forma a apoiar políticas que poderão modificar a situação de marcada vulnerabilidade e violência na qual a maior parte desse grupo vive. [...] É urgente fazer uso dos dados apresentados a fim de tornar ainda mais clara esta fotografia sobre uma sociedade que, ao matar sua juventude, elimina as chances de uma vida digna agora e no futuro. Devemos tomar os dados em articulação a fim de se que saiba que somos todos afetados por essa dura realidade, que pode e deve ser alterada", atenta Beatriz Saks, coordenadora de projetos da área de Prevenção da Violência do Instituto Sou da Paz.

Trabalho infantil no Carnaval. O que nós temos a ver com isso?

15/02/2018

"O Brasil se comprometeu internacionalmente a eliminar as piores formas de trabalho infantil até o ano 2016 e erradicar totalmente essa prática até 2020. As metas não foram atingidas, tendo sido renovadas perante a ONU até 2025. De outra parte, as alterações legislativas que precarizam relações de trabalho, como a Reforma Trabalhista, facilitando contratações sem vínculos, colocam em maior vulnerabilidade as crianças, que tendem a ser utilizadas como mão de obra no complemento da renda familiar. São inúmeros os prejuízos físicos, psicológicos e sociais ao desenvolvimento das crianças e adolescentes. É um problema de todos, pois reproduz as desigualdades sociais e raciais históricas, que impedem a construção de uma sociedade efetivamente justa e democrática. Para tanto, cada um tem que fazer a sua parte. É necessário romper o silêncio, acionar os órgãos de defesa e proteção (Ministérios Públicos, Conselhos Tutelares, Defensoria Pública, outros) através dos canais de denúncia (Disque 100)", alerta Elisiane Santos, coordenadora do Fórum Paulista de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil.

A segurança das crianças está na cara da gente

06/02/2018

"A segurança e o calor de nossa presença, somada ao estímulo que podemos dar a elas de explorar espaços, pesquisar, experimentar, descobrir e de criar brinquedos que brotam dos anseios genuínos delas, certamente as ajudará a suportar melhor as turbulências do consumo que estremecem pela ganância as bases dos jardins da infância. Embora saibamos o quanto é difícil dizer não para uma criança, somos, por outro lado, as pessoas em quem elas mais confiam e se espelham. Se não têm condições de questionar o mercado agora, certamente terão mais tarde. Fora isso, reconhecer os sentimentos delas e demonstrar que compreendemos o quanto lhes é penoso lidar com tantos desejos, as fortalece também por serem levadas em conta. Maior que as marcas de tantos produtos são as marcas do amor que temos por elas, marcas que não saem de moda, que não enganam, que não exploram a ingenuidade infantil e que, além disso, não tiram delas o tempo impagável de viver plenamente sua infância", assegura Maria Helena Masquetti.

Páginas

Subscribe to RSS - ECA  Feed RSS