Políticas Públicas

Educação só é de qualidade quando é para todos

08/06/2017

"Infelizmente, estar matriculado em uma escola no Brasil não garante a aprendizagem. Os resultados da Prova Brasil e do Ideb demonstram que nossos alunos passam pelas salas de aula e aprendem muito pouco. Neste momento em que o país discute a Base Nacional Comum Curricular, não podemos perder a oportunidade de fazer uma ampla mobilização pela importância do conhecimento e pela valorização do papel do professor, que passa necessariamente pela sua formação para que os estudantes tenham efetivado o direito de aprender. [...] As desigualdades educacionais não estão isoladas. Elas se articulam e são potencializadas por outras desigualdades, como a de renda, de raça, de gênero, do território... Se a educação é uma área central para o desenvolvimento do país e melhoria das condições de vida de seus cidadãos, ela deve ser preservada, tanto em momentos de bonança, quanto de crise. Assim, a atual conjuntura não pode servir para paralisar ações e programas exitosos ou impedir que políticas sólidas sejam elaboradas e implementadas para o enfrentamento das desigualdades", assinala Neca Setubal.

O Brincar em tempos de infâncias

23/05/2017

"A infância é o momento especial para que as brincadeiras fluam em nosso cotidiano. Livre de responsabilidades, regras e cobranças, o brincar marca a nossa passagem pela vida como algo intenso e prazeroso. [...] Os adultos acabam tornando-se responsáveis em favorecer ou não que as crianças brinquem, sendo assim, é importante que o tempo e o espaço de brincar sejam respeitados por aqueles que um dia já foram crianças. Para favorecer espaços de brincar, é preciso ter clareza de que este é um direito da criança e que se ela não o tiver garantido durante este período, o tempo não poderá repor o que foi perdido. Aos adultos, cabe respeitar e valorizar este momento, proporcionando espaços que possibilitem as brincadeiras, a exploração com diversos materiais e, sempre que possível, com outras crianças", aponta a pedagoga Aline Paes.

O medo da prova revela que precisamos rever nossas avaliações

11/05/2017

"Além de classificar e ser usada como critério de reprovação, a avaliação pode e deve ocupar outro lugar: o do diagnóstico. Seus resultados devem orientar a prática docente, indicar lacunas na aprendizagem, ser matéria prima do planejamento escolar para que o professor possa aperfeiçoar e até rever suas práticas pedagógicas. Para que isto ocorra, a formação continuada dos educadores, realizada na própria escola, é essencial. [...] Não se trata de culpabilizar os mais de 2 milhões de professores que atuam nas escolas brasileiras, mas sim de assegurar as condições necessárias para que a cultura da reprovação possa, de fato, deixar de ser uma realidade. Este é um importante passo para que os testes deixem de ser um fator de angustia para nossos estudantes", afirma a socióloga e educadora Maria Alice Setubal.

Ser feliz e aprender

25/04/2017

É possível combinar bem-estar de alunos e boas notas. Relatório do Pisa mostra que pais e professores podem contribuir para isso. “[...] documento indica que há atitudes de pais e educadores que podem influenciar positivamente tanto no bem-estar dos adolescentes e em seu aprendizado. Alunos que reportaram conversar mais com seus pais e ter mais tempo de convívio entre eles (e menos isolados na internet) têm níveis de felicidade maiores. No caso da escola, a ansiedade gerada com os testes diminui quando estudantes reportam que seus professores adaptam as aulas para as necessidades suas e dos colegas e conseguem dar ajuda individual quando há alguma dificuldade de aprendizado. O estresse aumenta consideravelmente, porém, quando alunos dizem sentir que os professores acham eles menos inteligentes, ou quando acreditam que são mais rigorosos na avaliação deles na comparação com outros colegas”.

Olhar para sala de aula

18/04/2017

Estudo no Ceará mostra que observação e orientação ao trabalho de professores podem melhorar a qualidade do ensino. "A ideia de que o trabalho do professor em sala de aula pode ser observado e avaliado — mesmo que seja pelo diretor ou coordenador pedagógico da escola — encontra resistência em educadores brasileiros. A crítica mais comum é de que tal prática fere a autonomia docente, ou de que seria apenas um pretexto para vigiar e punir, colocando a culpa pelo fracasso do estudante nos ombros dos professores. O que alguns veem como vigilância e controle, porém, pode ser encarado como apoio e suporte. A chave para isso é, como sempre, a construção de relações de confiança entre os profissionais da escola, com foco em quem mais importa no processo educativo: o aluno", assinala Antônio Gois.

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