18/08/2016

Um chamado para empoderar os jovens

Por: 

Ban Ki-moon*

Antes mesmo dos primeiros recordes, as Olimpíadas 2016 entraram para a história ao dar aos atletas sem país um lugar na linha de largada. Tive o privilégio de encontrar no Rio os integrantes da primeira Equipe Olímpica de Refugiados. A força deles em sobreviver ao horror do deslocamento e à dor da perda é impressionante. Embora nada possa mudar o passado, estes atletas mostram que até as adversidades mais impossíveis podem ser superadas. Ganhando ou não a chance de subir ao pódio, eles já são vencedores.

Vi nestes jovens refugiados a paixão que milhões de jovens têm em todo o mundo. As Nações Unidas estão comprometidas em trabalhar para os jovens e com os jovens. Pela primeira vez indiquei um enviado especial para a Juventude, Ahmad Alhendawi, quando ele tinha 28 anos.

Estamos trabalhando para que todos os jovens tenham acesso à educação, à saúde, ao trabalho. Todos os anos, o Fórum da Juventude do Conselho Econômico e Social da ONU reúne representantes de governos e jovens ativistas para discutir assuntos globais. E a ONU tem apoiado cada vez mais organizações dirigidas por jovens e para jovens que trabalham para a promoção da paz e do desenvolvimento.

O Dia Internacional da Juventude, celebrado anualmente no dia 12 de Agosto, deve ser um marco para um comprometimento real. Neste ano, aproveito a ocasião para anunciar ações que darão mais poder aos jovens.

Uma grande injustiça que tenho tentado corrigir é a exclusão dos jovens nas questões de segurança. Se eles são considerados bons o bastante para morrer na guerra, também deveriam ter lugar para discutir com líderes que negociam a paz. Em dezembro, o Conselho de Segurança da ONU finalmente reconheceu isto quando adotou a Resolução 2250, em apoio aos jovens pacificadores.

Para avaliar os progressos desta medida sem precedentes, anunciei a criação de um novo Grupo Consultivo. Este Grupo é diverso e internacional, mas tem o benefício extra de incluir pessoas que viveram de perto o assunto em discussão. Quase metade dos membros deste Grupo é jovem: um perdeu o pai na guerra, outro sobreviveu a um ferimento de bala, outros são refugiados. Espero que a experiência de todos contribua para muitos avanços.

Os jovens têm habilidade e energia, mas ainda carecem de oportunidades de trabalho decente. Em todo o mundo, mais de 70 milhões estão desempregados. Para ajudar neste desafio, nomeei um enviado especial para o Trabalho Jovem, o ex-chanceler da Áustria Werner Faymann. Ele trabalhará junto com o enviado especial para a Juventude e especialistas da ONU no assunto, como a Organização Internacional do Trabalho.

Para nós, os jovens podem fazer mais do que preencher vagas de trabalho – eles podem criá-las. E podem ajudar a consolidar a visão da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, nosso plano global para as pessoas, o planeta e a prosperidade.

Neste ano, pela primeira vez as Nações Unidas nomearão Jovens Líderes para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – 17 jovens indivíduos extraordinários, que serão escolhidos a partir de mais de 18 mil indicações. Traremos estes jovens para a sede da ONU em setembro para ouvir suas ideias para nosso futuro.

Estes passos podem parecer pequenos, mas têm um grande significado. Os jovens precisam ser cidadãos globais, que levantem suas vozes e mudem nosso mundo. Avançar no progresso é somar. Quando nós apoiamos constantemente os jovens do mundo, eles podem criar um futuro mais seguro, justo e sustentável para as gerações que estão por vir.
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*Ban Ki-moon é o atual secretário-geral da Organização das Nações Unidas. Antes de se tornar secretário-geral, Ban era um diplomata de carreira no Ministério de Relações Exteriores e Comércio da Coreia do Sul e na ONU.

**Artigo publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo no último domingo, 14 de agosto.

 

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